Marques Mendes vota em Seguro. Ventura ironiza (e Montenegro não comenta)
- 23/01/2026
Luís Marques Mendes recuou e decidiu afinal revelar, na noite de quinta-feira, o seu sentido de voto na segunda volta das eleições presidenciais que decorrem no próximo dia 8 de fevereiro.
O candidato presidencial derrotado na primeira volta - e que era apoiado pelo PSD e CDS-PP - vai apoiar o socialista António José Seguro, em detrimento de André Ventura.
Para o advogado, trata-se de uma questão de "coerência", uma vez que considera que Seguro é o "único candidato que se aproxima dos valores que sempre" defendeu.
"O meu voto nesta nova eleição será em António José Seguro. Por uma razão de coerência. É o único candidato que se aproxima dos valores que sempre defendi: defesa da democracia, garantia do espaço da moderação, respeito pelo propósito de representar todos os portugueses", disse o também membro do Conselho de Estado ao jornal Expresso.
As reações a este apoio não tardaram. E um dos primeiros a reagir foi mesmo o candidato adversário.
Num vídeo partilhado nas redes sociais, André Ventura começou por ironizar: "informação dramática [...] não estávamos mesmo nada à espera disto. Para, logo a seguir, partir para o ataque e acusar Marques Mendes de se juntar ao "tacho de interesses" de sempre.
"Pessoal, que informação dramática é esta. Luís Marques Mendes, o candidato derrotado, vai declarar apoio a António José Seguro. Não estávamos mesmo nada à espera disto. Nós não sabíamos, na verdade, que os tachistas sempre se defenderam uns outros, que eles sempre se defenderam uns aos outros e que estão com medo que a mama acabe", atirou.
Isto é um choque! Ninguém esperava por uma coisa destas pic.twitter.com/3MzG2meeh4
— André Ventura (@AndreCVentura) January 22, 2026
O apoio de Marques Mendes a Seguro surge depois de, no domingo, no discurso da derrota, ter optado por não apoiar nenhum dos candidatos que passaram à segunda volta, tal como fez Luís Marques Mendes, presidente do PSD e atual primeiro-ministro.
Rui Moreira, ex-presidente da Câmara Municipal do Porto, tem uma teoria para isso e explicou-a na noite de quinta-feira, na CNN Portugal: "Luís Marques Mendes quis fazer o luto relativamente à derrota que teve" na noite eleitoral. No entanto, para o anterior autarca da Invicta, "não se esperava outra coisa" do social-democrata.
Já o jornal Público garante que a principal razão para Marques Mendes não ter logo anunciado o apoio a Seguro prende-se com o facto deste não querer dificultar a tarefa de Luís Montenegro, que falaria imediatamente a seguir ao ex-candidato para revelar que, enquanto presidente social-democrata, não escolheria entre António José Seguro e André Ventura.
Se foi estratégia ou pesar isso, provavelmente, nunca se vai saber. O que se sabe é que há quem defenda que o apoio de Marques Mendes a Seguro "fragiliza" a posição de Montenegro, que continua a não apoiar nenhum dos candidatos que conseguiram passar à segunda volta da corrida a Belém.
Em declarações aos jornalistas, a partir de Bruxelas, onde se encontrava a participar no Conselho Europeu, o primeiro-ministro reiterou: "Não tenho mais nada a acrescentar àquilo que já tenho dito e que já afirmei", sobre o seu sentido de voto.
O mesmo garante Hugo Soares, líder parlamentar do PSD. No entanto, o apoio a Seguro por parte da Direita tem surgido em catadupa. E, nas últimas horas mais alguns pesos pesados deste espectro político declararam o apoio a Seguro.
Moedas e Cristas declaram voto em Seguro
Entre eles está, por exemplo, Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que tal como Pedro Duarta, presidente da Câmara Municipal do Porto já tinha feito, vai apoiar Seguro na segunda volta das presidenciais.
No entanto, o autarca da capital, assume que é "sem entusiasmo" que o faz e deixa um aviso: "Julgo que [Seguro] tem a capacidade de não dividir, mas terá que respeitar a maioria social de centro-direita que existe hoje em Portugal".
Algo semelhante fez Assunção Cristas, membro histórico do CDS-PP e antiga ministro do Governo de Passos Coelho. A centrista lamenta ter ficado, "como mais de dois milhões de portugueses", sem qualquer "candidato natural", optando por ir votar "em António José Seguro", com o qual, esclareceu, não tem "qualquer relação geracional ou de amizade".
Recorde-se que, no domingo, 18 de janeiro, António José Seguro e André Ventura foram os mais votados na primeira volta das eleições para o Palácio de Belém e vão disputar a segunda volta, em 8 de fevereiro.
O candidato apoiado pelo PS e, agora, também por Livre, PCP e BE, conquistou 31% dos votos e Ventura, líder do Chega, obteve 23%.
Em terceiro lugar ficou Cotrim Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal, com 16,%, à frente de Gouveia e Melo, com 12%, e de Marques Mendes, apoiado pelo PSD e CDS-PP, com 11%.
À Esquerda, Catarina Martins (BE) teve 2%, António Filipe (PCP) teve 1,6% e Jorge Pinto (Livre) 0,6%, abaixo do artista Manuel João Vieira, que conseguiu 1%. O sindicalista André Pestana recolheu 0,2% e Humberto Correia 0,08%.
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