Congo vai emitir dívida pública nos mercados internacionais pela 1.ª vez
- 24/01/2026
Em entrevista à agência de informação financeira Bloomberg, o ministro das Finanças congolês, Doudou Fwamba Likunde, explicou que as verbas, no valor total de mais de 1,9 mil milhões de euros, servirão para financiar a construção de projetos de infraestruturas neste país africano que faz fronteira, a sul, com Angola.
"O crescimento do preço dos metais, incluindo ouro e cobre vão ajudar a emitir dívida a preços competitivos", argumentou o ministro na entrevista à Bloomberg, na qual apontou também a reduzida inflação, à volta de 2%, e um dos rácios mais baixos de dívida sobre o PIB na região, abaixo dos 20%, como trunfos para a ida aos mercados de dívida, cuja primeira emissão será feita em abril, no valor de 654 milhões de euros, e a segunda, no valor equivalente a 1,3 mil milhões de euros, deverá também ser feita ainda este ano.
"Vamos fazer uma oferta bem estruturada e abrangente, com condições que nos permitam garantir a sustentabilidade orçamental, mas acima de tudo que nos permitam aceder a estes mercados; não queremos ir com condições que nos exponham a mais riscos significativos", argumentou o ministro.
Para o governante, a emissão de abril será a primeira de muitas: "Queremos emitir um primeiro Eurobond, um segundo, um terceiro, um quarto, indefinidamente, queremos envolver-nos com o mercado de forma a ficar lá e acelerar o desenvolvimento económico do país", disse ainda Doudou Fwamba Likunde.
A RDCongo é a segunda maior nação da África subsaariana, o maior produtor de cobalto e o segundo maior de cobre, mas é também um dos países mais pobres do mundo, pelo que uma emissão bem-sucedida ajudaria o governo a mudar a perceção dos investidores, que olham para o país como sendo conflituoso e corrupto, escreve a Bloomberg.
O Fundo Monetário Internacional, que terminou em 2024 um programa de ajustamento financeiro no país, prevê que a RDCongo cresça a uma taxa média de 5,5% até ao final da década, com a inflação a estabilizar nos 7%.
Os analistas ouvidos pela Bloomberg antecipam um "apetite razoável" pela emissão, mas alertam que os juros que os investidores vão exigir podem ser incomportáveis para este país africano, lembrando que a vizinha República do Congo teve de pagar juros de 13,7% para emitir 670 milhões de dólares no ano passado, os juros mais elevados de sempre nos mercados emergentes.
A RDCongo tem um rating de B3, seis níveis abaixo da linha de investimento, e no mesmo patamar da Nigéria e Angola.
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