Cinco dos 37 detidos do Grupo 1143 ficam em prisão preventiva
- 24/01/2026
Cinco dos 37 alegados membros do grupo neonazi 1143, desmantelado na passada terça-feira pela Polícia Judiciária (PJ), vão aguardar o desenrolar da investigação em prisão preventiva, decidiu este sábado, dia 24 de janeiro, o Tribunal Central de Instrução Criminal.
Os restantes 32 arguidos foram libertados, 29 dos quais obrigados a apresentar-se semanalmente na esquadra, e três somente com termo de identidade e residência, indicou o tribunal em comunicado.
Os arguidos estão indiciados, em geral, da prática dos crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravados, ofensas à integridade física qualificada e detenção de arma proibida.
Dos cinco arguidos em prisão preventiva, quatro terão, segundo o despacho de indiciação do Ministério Público a que a Lusa teve acesso, agredido dois imigrantes indianos na área de serviço de Aveiras da A1, em 05 de outubro de 2025, e um terá agredido um elemento do grupo que, no 25 de Abril de 2025, se manifestou em resposta a uma concentração do partido de extrema-direita Ergue-te, no Largo de São Domingos, em Lisboa.
Operação Irmandade: O que se sabe?
Recorde-se que, na terça-feira, dia 20 de janeiro, a Polícia Judiciári (PJ) levou a cabo uma megaoperação, denominada operação Irmandande, para desmantelar o grupo neonazi 1143. No total, foram detidas 37 pessoas e constituídos 15 arguidos.
O objetivo da Unidade Nacional Contraterrorismo era desmantelar a "organização criminosa responsável pela prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de armas proibidas".
Os suspeitos detidos, com idades compreendidas entre os 30 e os 54 anos, têm, como revelou a mesma fonte, "vastos antecedentes criminais e ligações a grupos de ódio internacionais".
O Ministério Público alega que o 1143 estaria a preparar-se para ter natureza paramilitar em antecipação a uma eventual "guerra racial" e a organizar, para 2026, duas ações com ofensas ao profeta Maomé para provocar reações negativas ou mesmo violentas por parte da comunidade muçulmana em Portugal.
O grupo seria liderado por Mário Machado, incluindo a partir da prisão, onde se encontra a cumprir pena desde maio de 2025 noutro processo, por discriminação e incitamento ao ódio e à violência.
Segundo o Ministério Público, o seu intermediário mais direto a partir de então terá sido um dos arguidos que hoje ficou em prisão preventiva e que terá participado nas agressões ocorridas em Aveiras em outubro de 2025.
Na sexta-feira, o advogado de Mário Machado defendeu que a única solução na operação "Irmandade" é a absolvição do seu cliente, que, por estar preso, não esteve entre as 37 pessoas detidas na terça-feira.
"Para já, porque este é um processo, segundo diz a Polícia Judiciária, de direito penal preventivo. Isso não existe. Isto foi feito, não porque se tivesse feito alguma coisa, mas porque podia ser feita", sustentou José Manuel Castro.
[Notícia atualizada às 12h42]
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