'Bomba' à vista. Poderá Alemanha boicotar o Mundial contra Donald Trump?
- 24/01/2026
Oke Gottlich, presidente do St. Pauli e um dos dez vice-presidentes da Federação Alemã de Futebol (DFB), concedeu uma extensa entrevista à edição deste sábado do jornal germânico Hamburger Morgenpost, na qual defendeu que "chegou a altura" de "considerar e discutir seriamente" um eventual boicote ao Campeonato do Mundo de 2026, devido às ações de Donald Trump.
"Quais foram as justificações para os boicotes aos Jogos Olímpicos de 1980? Do meu ponto de vista, a potencial ameaça é maior, neste momento, do que era, na altura. Precisamos de ter esta discussão", começou por afirmar, referindo-se à ação de protesto liderada pelos Estados Unidos da América contra a invasão levada a cabo pela União Soviética ao Afeganistão, que acabou por contar com o apoio de mais de 60 países oriundos dos quatro cantos do planeta.
"O Qatar era demasiado político para toda a gente, e, agora, somos completamente apolíticos? Isso é algo que me incomoda mesmo, mesmo, mesmo (...). Enquanto organizações e sociedades, estamos a esquecer-nos de como impor tabus e limites, e de como defender valores. Os tabus são uma parte essencial da nossa tomada de posição", prosseguiu.
"Será um tabu cruzado quando alguém avança com uma ameaça? Será um tabu cruzado quando alguém ataca? Quando morrem pessoas? Eu gostaria de saber, da parte de Donald Trump, quando é que ele alcançou o seu tabu, e também gostaria de sabê-lo da parte de Bernd Neuendorf e Gianni Infantino", completou, apontando o dedo aos líderes máximos de DFB e FIFA, respetivamente.
Na base do 'murro na mesa' de Oke Gottlich estão os esforços levados a cabo pelo presidente dos Estados Unidos da América para anexar a Gronelândia, um território pertencente à Dinamarca, país que, por seu lado, faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), assim como a ameaça de imposição de tarifas a oito países europeus que se opuseram à mesma.
"A vida de um jogador profissional não vale mais do que as vidas de inúmeras pessoas de várias regiões que estão a ser, direta ou indiretamente, atacadas ou ameaçadas pelo anfitrião do Campeonato do Mundo", completou o dirigente.
O panorama da Alemanha (e não só) no Mundial2026
O Campeonato do Mundo de 2026, recorde-se, vai ser organizado, não só pelos Estados Unidos da América, como também pelo Canadá e no México, entre os dias 11 de junho e 19 de julho, sendo que, pela primeira vez na história, irá contar com um leque alargado de 48 seleções participantes, ao invés das tradicionais 32.
A Alemanha está inserida no Grupo E, juntamente com Equador, Curaçao e Costa do Marfim. Portugal, por seu lado, vai disputar o Grupo K, na companhia de Usbequistão, Colômbia e o vencedor do playoff que será disputado, no próximo mês de março, por República Democrática do Congo, Nova Caledónia e Jamaica.
Em frente, seguirão os dois primeiros classificados de cada um dos grupos, assim como os oito melhores terceiros, mediante a pontuação alcançada ao cabo das três jornadas.
Leia Também: A "piada rasteira" de Infantino que está a deixar Inglaterra 'em brasa'



