Arruda diz não ter estado em almoço do Grupo 1143 (mas foi convidado)
- 24/01/2026
Miguel Arruda está agora envolto numa nova polémica depois de ter sido noticiado que o antigo deputado do Chega marcou presença num almoço do Grupo 1143, em outubro de 2024, no Porto. Notícia que Arruda desmente, embora admita ter sido convidado.
A notícia foi avançada pelo Expresso, dando conta de que Miguel Arruda teria participado num almoço convívio do grupo neonazi 1143. No entanto, para não ser reconhecido, o açoriano terá usado um passa-montanhas - uma espécie de balaclava - para tapar o rosto.
Miguel Arruda garantiu, no entanto, não ter estado presente, em declarações à SIC Notícias, admitindo ainda ter sido convidado.
Por seu turno, o advogado do antigo deputado relativizou a presença do cliente, notando que a organização em questão - o Grupo 1143 - não é ilegal.
"Se ele foi ao jantar ou almoço convívio, ele fê-lo certamente individualmente, como podia ter ido a qualquer outro jantar. Ele tem todo o direito de ir a jantares, até mesmo de grupos clandestinos, quanto mais a jantares de grupos legais [...]. Se fosse a um jantar do Livre, se calhar, não havia problema nenhum", referiu o advogado de Miguel Arruda à SIC Notícias.
De recordar que Mário Machado, de 48 anos, é o líder do Grupo 1143 e encontra-se detido. Miguel Arruda, aliás, nunca escondeu que havia uma proximidade entre ambos, tendo feito uma publicação na rede social X, há cerca de um ano, onde escreveu: "Eu pertenço ao Mário". Um post que, mais tarde, viria a apagar.
Ainda de acordo com a SIC Notícias, as autoridades suspeitam que a aproximação entre líder do Grupo 1143 e o ex-deputado do Chega tinha como objetivo atrair deputados, autarcas e militantes com algum destaque no Chega para a causa ultranacionalista.
Miguel Arruda, de 41 anos, note-se, começou a ser falado depois de ser suspeito de furtos de malas no aeroporto de Lisboa. Recentemente, foi acusado de 21 crimes de furto qualificado por ter, alegadamente, subtraído várias malas entre outubro de 2024 e janeiro de 2025.
Foi eleito deputado à Assembleia da República pelo Chega em março de 2024, passou a deputado independente depois de ter sido constituído arguido em janeiro de 2025 e, quando o processo foi conhecido, negou a prática dos crimes.
37 detidos após megaoperação da Polícia Judiciária
Recorde-se que, na terça-feira, dia 20 de janeiro, a Polícia Judiciária (PJ) levou a cabo uma megaoperação para desmantelar o grupo neonazi 1143. No total, foram detidas 37 pessoas e constituídos 15 arguidos.
A operação Irmandade, como foi chamada, decorreu desde as 7h00 de dia 20 de janeiro, em vários locais por todo o país.
O objetivo da Unidade Nacional Contraterrorismo era desmantelar a "organização criminosa responsável pela prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de armas proibidas".
Os suspeitos detidos, com idades compreendidas entre os 30 e os 54 anos, têm, como revelou a mesma fonte, "vastos antecedentes criminais e ligações a grupos de ódio internacionais".
O grupo "adotava e difundia a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e extrema direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes".
Grupo estava a organizar ações provocatórias com ofensas a Maomé
O Ministério Público (MP) alega que o grupo de ideologia neonazi 1143, desmantelado pela PJ, estava a preparar ações com ofensas ao profeta Maomé para provocar reações negativas por parte da comunidade muçulmana.
No despacho de indiciação dos 37 detidos, ao qual a Lusa teve hoje acesso, o MP sustenta que, em novembro passado, o presumível líder do grupo, Mário Machado, terá gizado um plano para a realização, em 2026, de duas grandes ações com o objetivo de provocar reações negativas ou violentas por parte da comunidade muçulmana residente em Portugal.
A primeira estaria prevista para fevereiro e passaria pela divulgação junto da Comunicação Social e na rede social X de um vídeo com uma tarja, apreendida na terça-feira pela PJ, a acusar Maomé, figura sagrada do Islão, de ser pedófilo.
A segunda consistiria na exibição, numa manifestação em Coimbra no 10 de Junho (Dia de Portugal), de uma bandeira com uma imagem do profeta com um turbante e uma bomba.





