10 anos de Marcelo. Mais de 1.900 condecorações (grande parte restritas)
- 23/01/2026
Segundo o portal das ordens honoríficas portuguesas na Internet, nos seus mandatos foram atribuídas perto de 1.930 condecorações, até ao fim de dezembro de 2025, não havendo ainda dados disponíveis de janeiro deste ano -- cerca de 750 no primeiro mandato e mais de 1.180 no segundo.
Para comparação, o seu antecessor, Aníbal Cavaco Silva, atribuiu aproximadamente 1.570 condecorações a cidadãos nacionais no conjunto dos dois mandatos, o Presidente Jorge Sampaio cerca de 2.370, Mário Soares em torno de 2.460 e António Ramalho Eanes cerca de 1.900.
No que respeita à distinção de cidadãos estrangeiros, Marcelo Rebelo de Sousa foi o chefe de Estado eleito em democracia que entregou menos condecorações, cerca de 360 até agora segundo os dados disponíveis no portal das ordens honoríficas na Internet.
Em contraste, os seus antecessores atribuíram entre 750 e 2.600, muitas das quais se enquadravam numa tradição de trocas de condecorações durante as visitas oficiais ao estrangeiro.
Cavaco Silva condecorou cerca de 750 cidadãos estrangeiros nos dois mandatos, Jorge Sampaio aproximadamente 1.820, Mário Soares à volta de 2.600 e Ramalho Eanes 2.590.
Como chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa optou por realizar várias cerimónias de condecorações em formato restrito, sem publicitação prévia sem a presença da comunicação social, e algumas até sem divulgação posterior no sítio oficial da Presidência da República na Internet.
Foram assim condecorados, entre outros, por exemplo, o anterior primeiro-ministro, António Costa, a antiga procuradora-geral da República Joana Marques Vidal, o anterior presidente da Assembleia da República Augusto Santos Silva, a atriz Maria do Céu Guerra, o humorista Herman José ou a cantora Simone de Oliveira. Estas condecorações foram depois divulgadas através de notas no portal da Presidência da República.
Nos mandatos do atual chefe de Estado, o mais alto grau das ordens honoríficas, o grande-colar, foi para os antigos chefes de Estado Cavaco Silva, Ramalho Eanes, Jorge Sampaio e Mário Soares, para o ex-vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE) Vítor Constâncio, para os escritores José Saramago e Sophia de Mello Breyner e a pintora Paula Rego.
Por ocasião do cinquentenário da Revolução dos Cravos, o chefe de Estado e comandante supremo das Forças Armadas anunciou em 2021 que iria condecorar todos os militares que participaram no 25 de Abril, o que foi fazendo, em diferentes sessões.
Algumas condecorações causaram polémica, como a do antigo chefe de Estado António de Spínola, a título póstumo, em julho de 2023, feita de forma reservada, sem nota pública por parte da Presidência da República na altura.
Em abril do ano seguinte, na sequência de uma notícia do jornal Público com o título "Marcelo condecorou António de Spínola às escondidas", a Presidência da República divulgou uma nota sobre essa e outras condecorações, salientando que tinham sido publicadas tanto em Diário da República como na base de dados pública das ordens honoríficas portuguesas.
Spínola foi condecorado postumamente no mesmo dia e com o mesmo grau que Francisco da Costa Gomes, no âmbito das condecorações dos militares de Abril.
"A ordem e o grau atribuídos a todos os condecorados foi o de grande-oficial da Ordem da Liberdade, com exceção dos dois antigos chefes de Estado, condecorados com a grã-cruz da mesma ordem", referiu a Presidência.
Leia Também: Marcelo: Presidência próxima e intensa com instabilidade no 2.º mandato



